Por que Ler os Clássicos? Essa é a pergunta título de um livro de Ítalo Calvino, em que responde com clareza o porque que determinadas Literaturas não se desfazem com o tempo. “Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos” [Ítalo Calvino].
A citação acima explica o fato de Monteiro Lobato com suas inúmeras publicações ser ainda hoje, uma grande influência tanto na literatura infantil como na pedagogia.
O Livro Emília no País da Gramática é uma das obras-primas mais cativantes de Monteiro Lobato; é sem dúvida a gramática falada através de belezuras e sutilezas que facilitam a compreensão da língua, da escrita e faz com que a criança não só aprenda as regras gramaticais, como também, exercite a capacidade imagética através do passeio guiado pelo rinoceronte Quindim, que leva ao “País da gramática”, Emília, Pedrinho, Visconde de Sabugosa e Narizinho.
Monteiro Lobato consegue construir na obra, um país rodeado de vogais, consoantes, ditongos, hiatos, verbos e uma população nomeada com as regras gramaticais; o autor dá vida às regras como em fábulas, tornando a língua portuguesa de fato, um país atraente para passear. Em Emília no País da Gramática, Monteiro perpassa pela classificação, estrutura, processo de formação das palavras etc. utilizando uma linguagem acessível, facilitando a compreensão da história e despertando na criança uma certa afeição pela língua portuguesa, como por exemplo:
“ – Mesmo assim – explicou o rinoceronte – muitas palavras estrangeiras vão entrando e com o correr do tempo acabam ‘naturalizando-se’. Para isso basta que mudem a roupa com que vieram de fora e sigam os figurinos desta cidade. Bouquet, por exemplo, se trocar essa roupinha francesa e vestir um terno feio aqui, pode andar livremente pela cidade. Basta que vire Buquê...”
E com a curiosidade infantil dos personagens e mais a asneira de Emília, Monteiro consegue no livro Emília no País da Gramática, contribuir para o aprendizado e o despertar da imaginação infantil de forma singela e inteligente, podendo sim, tornar digno de uma leitura fundamental nas salas de aula e ainda assim, substituir a velha gramática por esta leitura deveras instigante.